quinta-feira, 6 de junho de 2013

Reflexôes sobre a hora da partida

“O mesmo trem que chega é o da partida"

 
Despedida não está entre as melhores coisas da vida, mas é um protocolo a ser seguido, do qual fugir ou não enfrentar pode significar descaso e falta de sensibilidade. Então já que é para ser, a gente encara, talvez não da forma esperada. Imitando a arte do cinema, a despedida é sempre regada de muito choro, abraços e palavras de carinho. Nessa hora esquecemos que tem telefone, email, redes sociais, ônibus, avião, que vai de alguma forma fazer com aquela pessoa mesmo que distante esteja sempre presente na nossa vida. Mas claro, se considerássemos isso não poderíamos chamar de despedida. Porque a palavra por si só já traz todo um ritual. Recuperar fotos, ouvir a música marcante do momento, realizar a “última” confraternização e de quebra, escrever aquela carta com tudo aquilo que já devia ter sido dito, porque quando se espera a hora da partida tudo isso se torna mais doído.
 
Eu, particulamente, já passei por várias, não minhas, mas de grandes amigos. Cheguei até achar durante um tempo, que para possuir fortes amizades era necessário passar pelo ritual da despedida, mas não, era só eu mesma que tinha que passar por essas provações e precisava aprender com a situação. Então lá se foi a primeira amiga a mudar, para o Sudeste mesmo, mas parecia ser para Marte e que ficaríamos para sempre incomunicáveis. Nada de lágrimas enquanto estivemos uma do lado da outra, mas foi virar as costas e fechar a porta, para o berreiro se abrir. A segunda foi bem diferente, com um sofrimento digno de novelas mexicanas, fizemos uma noite de despedida, nem sempre uma boa idéia. E então chorei de meia noite às seis da manhã junto com ele, ouvindo Renato Russo, nada indicado para situação. Foi quando tivemos a brilhante idéia de dormir, o mais indicado para este tipo de situação. Depois de anos, essa pessoa chegou a voltar, não me lembro de ter chorado de felicidade,o retorno nem sempre tem o mesmo impacto da despedid. E assim foi, tive despedidas menores, de um espaço de tempo mais curto, de distâncias menos significativas, e nem por isso menos doídas e sofridas.

Sempre vai com a pessoa que parte, vibrações boas, sentimentos sinceros e um carinho que perdura kilômetros.  Se alguém parte, ainda que não seja pra esse mundo, é porque outra estrada lhe espera.  Novos projetos, novos ares, assim como novos amigos.  É momento de reconstruir o que já foi consolidado uma vez, e já que já foi, será novamente. Por mais que pareça difícil para quem vai e para quem fica, a partida deixa ensinamentos. Pra quem fica, restam as lembranças boas, a saudade da companhia de quem foi e a experiência de conservar uma amizade que não conta com o olho no olho, o colo e os programinhas no meio da semana. Para quem parte, sobra a certeza existência de refúgio,  esse lugar que ele deixou, vai ser sempre onde vai poder se curar dos desenganos, das dores de cotovelo, das trombadas pessoais e  das desilusões amorosas. Lá vai ter cheiros, peles e colos conhecidos e seguros.

Por diversas vezes nos despedimos durante a vida. Temos extremos, assim como existe as tristes despedidas como aquelas das quais você tem a certeza de que o resto de sua vida será sem a companhia daquela pessoa. Tem aquelas que são gostosas como as despedidas de amor, por mais dolorosas que possam parecer, é compensada pelo retorno, do contato, dos carinhos e do amor mais rejuvenescido.  Despedidas de um tempo, de um sabor ou de um cheiro. Da gargalhada de uma pessoa, do zelo de outra ou do período de faculdade. A falta, a saudade vai sempre acompanhá-las, mas nada que nos faça parar, pelo contrário, muitas vezes, nos faz ter ainda mais vontade de continuar.

Todo dia é dia de despedida, mesmo que a gente não perceba. Aos poucos, até as fases da vida se despedem. Mas é com são com essas várias partidas que nos tornamos amadurecidos e ainda mais realizados, afinal, a falta vem para ensinar a desfrutar do presente.





***Texto escrito para as pessoas que dividiram importantes fases da minha vida ao meu lado. Algumas já longes e outras que ainda estão para se despedir, quando tem que ser há de existir uma relação de carinho independente da distância. E que venha mais uma sofrida despedida.

3 comentários:

  1. Lindo texto e lindo trabalho amiga... sensivel como você... parabens! Não perca essa ideia...

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  2. Que texto mais perfeito. Me identifiquei muito! Adorei, e é bem assim que me sinto... Parabéns!

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